Jango, de Silvio Tendler: o cinema documentário e a memória como bandeira política

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Memória Social, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 2011.

Orientadora: Prof.ª Dr.ª Leila Beatriz Ribeiro

RESUMO

Este trabalho discute o lugar do cinema na construção de memórias, utilizando o documentário Jango (1984), de Silvio Tendler, como campo empírico. Ao se apropriar de imagens de arquivo, o cineasta procura dar novos significados a uma trajetória individual expurgada do cenário político a partir de 1964. Em um contexto de mudanças na sociedade brasileira, o cineasta constrói uma narrativa dirigida pela emoção. Para tal, Tendler se arma de estratégias do cinema documentário clássico, como a narração em off, os depoimentos e a música, tudo organizado pela montagem cinematográfica. O lançamento do documentário coincide com as manifestações e protestos do início dos anos 80, momento no qual a sociedade exigia eleições diretas e o retorno da democracia. O trabalho foi dividido em três capítulos, sendo os dois primeiros teóricos e o último reservado à análise fílmica. No primeiro capítulo, Cinema e memória social, discutimos o uso da memória como bandeira política e também questões relacionadas ao cinema documentário e às imagens de arquivo. No segundo capítulo, Esquecimento e lembrança, tratamos da relação lembrar-esquecer a partir da trajetória do ex-presidente João Goulart e do documentário Jango (1984). Apresentamos também um breve esboço biográfico do cineasta. O capítulo final é reservado para a análise fílmica. Para isso, dividimos o documentário em grandes blocos narrativos, como: A escalada política, A vice-presidência, A presidência e o exílio político. Nesse capítulo também são analisados o papel da música e dos depoimentos no documentário. Problematizamos as questões apontadas a partir de uma abordagem transversal entre os campos da memória social e do patrimônio, da história e do cinema.

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